segunda-feira, 3 de dezembro de 2007

O Anjo da Morte

Anos atrás, cerca de 4 anos, quando me remoía em dor, amargando em meu ego, mais uma vez, por uma paixão que não deu certo, encontrava abrigo em livros. Li vários autores, desde livros esotérico, espíritas, auto-ajuda e literatura em geral. Lembro de uma passagem que me marcou muito de um dos livros da Lya Luff (que não lembro qual pois li vários) onde ela falava do Anjo Morte. A autora instigou-me enquanto leitora, pois nessa passagem ela perguntava:

- Se o Anjo da Morte batesse a sua porta e lhe pedisse um motivo para não te levar com ele, o que você diria ? - Não poderia ser alegado os filhos, a família como um todo, as dívidas, os compromissos materiais, nada além de um bom motivo exclusivamente seu para continuar vivo.... o que eu alegaria?

Agora estou vivenciando a situação de pessoas muito queridas, amadas, adoecerem e correrem risco de vida. Senti o Anjo da morte rondando meu caminho.

Isso acontece num momento de minha vida em que me queixo de tudo principalmente da rotina e da falta de bons acontecimentos, quando minha alma se sente cansada e denuncia a ausência de bons motivos estimulantes capazes de me dar um fôlego novo.


Tudo muito inusitado, a sensação com esses acontecimentos onde a morte é o pivô.

Depois de ficar olhando a tudo como quem assiste a um filme na tela da TV, começo a fazer deduções e reduções. Percebo que não importa se há bons ou maus acontecimentos, começo a entender que a vida, a tal felicidade, o tal amor e a morte, são tão concretos quanto respirar, comer, beber água, fazer cocô.

Comer uma deliciosa torta de bolacha da receita da família é muito melhor que comer um tijolinho de amendoin do camelô, mas quantas vezes me deliciei com o tijolinho...

Sei que levanto e salto cambaleante da cama até o banheiro, na maioria das vezes, no piloto automático, sem respirar fundo e já resmunguenta por não acreditar que algo de novo, bom e inusitado poderá acontecer nas próximas 24horas, mas lembro que em raras ocasiões consegui me estirar me espreguiçando e respirando fundo, ainda deitada e sonolenta, vislumbrando que teria mais um dia comum, porém roubaria desta rotina, minutos ou horas para fazer coisinha prazerozas como por exemplo :


sentar no pátio com o meu gato no colo e acariciá-lo;

curtir meus filhos gritarem ainda da cama.. Mami onde tu tá....

encontrar com amigos no final da tarde para um chopinho ou outro drink, trocar confidências, lembrar episódios, fazer novos planos de lazer....

A vida, a felicidade, o amor e a morte, são tão concretos.

Há momentos que consigo perceber isso usando o sentimento e a inteligência que tenho enquanto um animal racional, espécie de ser vivente num universo que têm leis naturais e, passo a admitir que poderia ressumir tudo a história de uma semente que uma vez jogada ou simplesmente caída ao chão tem como possibilidade original brotar/fecundar, se receber cuidados ou se for forte o bastante para enfrentar as intempéries, que também são naturais, brotará da terra ; - se captar toda luz que poder e aproveitá-lá, irá vicejar e dar lindos frutos, será apreciada, abrigará , dará conforto, espalhará suas sementes ao vento e por fim sucumbirá ao tempo, outra força da natureza que tudo vence.

Nesse momento, consigo tornar tudo simples diante, perante e consequente a essas leis com as quais começo a me harmonizar, sem no entanto conseguir sequer traduzí-las em palavras, verbo ou expressão. Consigo me reduzir a semente e isso me dá alívio, quietude e paz.

Percebo um pouco dessa força que me faz vivificar nessa terra.

Se o Anjo da Morte batesse agora na minha porta não tentaria lhe dar motivos apenas lhe perguntaria : Já está no tempo?

quinta-feira, 15 de novembro de 2007

Desabafo depois de ver a conta do Supermercado

Ter uma rotina até não é mau. Não me incomoda ter que fracionar o meu tempo entre coisas necessárias, senão como querer usar uma roupa limpa se não estiver lavada, uma casa limpa e objetos guardados do meu jeitinho. Parece que essa necessidade de ter meu espaço à minha cara já me convenceu e, hoje não acho isso perda de tempo.


Anos e anos em torno de manter o que o corpo exige. Horas e horas de fazeres necessários, para manter um padrão de qualidade e dignidade corpórea.


Não sei a partir de quando aprendi a "meditar" e na maioria das vezes "remoer" durante os afazeres, mas aconteceu em um dado momento e desde então aproveito as tarefas para "meditar" sobre as coisas que vejo, sinto, temo, desejo, minhas frustrações, amores, encontros e desencontros, tristezas e questão pendentes de solução e encaminhamentos.




Agente cria cada vício, por fim acabei me dando conta que estava congelando minha mente a pensar em mim, somente, quanto estava limpando, cozinhando...

Me sinto de espada na mão para defender o meu tempo - lutando contra as necessidades corpóreas.




Percebo também, que no meu meditar e remoer entre tarefas, nunca me permiti voar para o sonho, me imaginar fazendo coisas prazerosas que talvez nunca se realizem, apenas me deixar transitar pelo irreal já que minha mente pode tudo. Que louco isso, mas agora, sou uma dançarina num palco majestoso : - a música é um tango de Piazzolla e o meu par é perfeito.




Ao menos me permitir a imaginar essas situações que são capazes de me tirar do limite das inviabilidades concretas da realidade.



Porque será? Não sei se minha mente está tão presa ao meu corpo com suas necessidades, que tem medo de viver fora dele.



Alguma coisa diferente ocorre, pois até então era meu corpo que nos momentos de inquietude queria se transportar para viver a luxúria, a fartura e as situações de contos de fadas onde tudo acaba bem. Agora não, é a minha mente que quer sair e ficar apenas com suas próprias possibilidades. Não sei onde ela me levaria pois, até agora, o corpo é que ditava imperiosamente suas necessidades.




Quando escrevo, percebo que minha mente se empodera.


Agora me joga nesse teatro de palco majestoso onde eu dançarina me embriago no prazer dos movimentos ritmados do tango com o meu parceiro perfeito; posso ser também o maestro elegante e requintado dessa orquestra sonora ou talvez o violonista emocionado com seus próprios acordes. Vários arquétipos me são permitidos desfrutar e a sensação é de muito, muito prazer.


Ultimamente tenho me ouriçado muito com o tempo que gasto para atender necessidades e porque elas ficam cada vez mais complexas, cada vez mais acabam levando o meu tempo embora.


Me incomoda ter que gastar tanto com comida ( tempo atrás de alimento, dinheiro para comprar, tempo para preparar, tempo para limpar tudo que sujo para cozinhar). Essa necessidade joga na minha cara, todos os dias, o quanto os humanos/corpos são frágeis e presos em si mesmos ( Imediatamente vêm o Chavão - Temos que dar Graças por termos a casa para limpar, a comida para comer e de onde tirar o dinheiro para pagar isso).




Estou enfartada com essas necessidades. Sei que isso não têm jeito, por outro lado a vida em família e até mesmo entre os amigos, poderia amenizar isso através do revezamento, mas isso quase sempre não dá certo.




E as hierarquias que elas impõem : Comer, lugar para morar e dormir, higiene pessoal, vestir , água , luz, passagem de ônibus, etc... e as modernidades sem as quais tu hoje não é gente : celular, Internet .




O meu enfarte mental, se dá porque, ultimamente, tem ocorrido com freqüencia, de minha mente querer estar em 1º lugar no fracionamento diário do meu tempo.




Quero começar a sentir e agir diferente, comigo mesma. As tantas primaveras vividas hão de servir para me ajudar a buscar uma nova maneira de encarar a vida com suas coisas necessárias.



Quero dizer a minha mente que ela estará a partir de então em primeiro lugar, o que te faz bem o que te rejuvenesce e o que de estimula ir além. Ilimitada és e te deixarei voar pois tu com tua ilimitada condição não criarás necessidades apenas experimentos....



Quero sair da prisão do botão automático que aciono para satisfazer o corpóreo e dar vez a ti .







domingo, 11 de novembro de 2007

Poesia de Viviane Mosé

Prosa Patética
Nunca fui de ter inveja, mas de uns tempos pra cá tenho tido.
As mãos dadas dos amantes tem me tirado o sono.
Ontem, desejei com toda força ser a moça do supermercado.
Aquela que fala do namorado com tanta ternura.
Mesmo das brigas ando tendo inveja.
Meu vizinho gritando com a mulher, na casa cheia de crianças,
sempre querendo, querendo.
Me disseram que solidão é sina e é pra sempre.
Confesso que gosto do espaço que é ser sozinho.
Essa extensão, largura, páramo, planura, planície, região.
No entanto, a soma das horas acorda sempre a lembrança
do hálito quente do outro. A voz, o viço.
Hoje andei como louca, quis gritar com a solidão,
expulsar de mim essa Nossa senhora ciumenta.
Madona sedenta de versos. Mas tive medo.
Medo de que ao sair levasse a imensidão onde me deito.
Ausência de espelhos que dissolve a falta, a fraqueza, a preguiça.
E me faz vento, pedra, desembocadura, abotoadura e silêncio.
Tive medo de perder o estado de verso e vácuo,
onde tudo é grave e único. E me mantive quieta e muda.
E mais do que nunca tive inveja.
Invejei quem tem vida reta, quem não é poeta
nem pensa essas coisas. Quem simplesmente ama e é amado.
E lê jornal domingo. Come pudim de leite e doce de abóbora.
A mulher que engravida porque gosta de criança.
Pra mim tudo encerra a gravidade prolixa das palavras: madrugada, mãe, ônibus, olhos, desabrocham em camadas de sentido,
e ressoam como gongos ou sinos de igreja em meus ouvidos.
Escorro entre palavras, como quem navega um barco sem remo.
Um fluxo de líquidos. Um côncavo silêncio.
Clarice diz, que sua função é cuidar do mundo.
E eu, que não sou Clarice nem nada, fui mal forjada,
não tenho bons modos nem berço.
Que escrevo num tempo onde tudo já foi falado, cantado, escrito.
O que o silêncio pode me dizer que já não tenha sido dito?
Eu, cuja única função é lavar palavra suja,
nesse fim de século sem certeza?
Eu quero que a solidão me esqueça.

quinta-feira, 8 de novembro de 2007

Segundo Salto

Dormi um soninho dos Deuses, depois de um dia bem cansativo. Acordei 3:39, já arremessada neste poço. Este nem parece um poço : - Meus olhos percorrem em círculos esse lugar. Me encontro no centro de um grande salão em uma mansão de muitos, muitos cômodos. Olho para o alto, agora, e mau consigo ver o teto pois, o pé direito é elevadíssimo. Há várias portas, janelas, uma escada majestral que se eleva a ampla parte de cima que é circundada por um elegante mezanino. Paredes absolutamente limpas, tons claros em toda a sua dimensão, o teto parece de vidro cristal e, o chão é de mármore também em tom claro, tudo quase alvo.Não há cheiro algum, tudo aqui é limpo. Há uma luminosidade natural e muito agradável, semelhante a um dia de sol e temperatura moderados. Não há móveis, cortinas ou qualquer objeto. Absolutamente limpo e límpido.
Este lugar me diz que: - tudo que eu colocar nele ficará bem, bonito, limpo e harmônico; inspira a certeza que qualquer coisa, aqui instalada, tenha ou não utilidade, beleza ou requinte aqui terão o seu valor, como peças raras e únicas. A mansão inspira também curiosidade pois, a infinidade de portas e janelas levarão a algum lugar, entretanto, me vejo tomada pela sensação do bem estar de adentrar uma casa nova , ampla e feita para mim, por isso não me impulsiono a querer desvendar o que há lá fora. Essa mansão magnífica, sendo minha, me faz sentir contemplada pela vida, é como um acalento do colo de mãe, passa a segurança de que não estarei nunca desabrigada, mas sempre protegida e que tudo sempre ficará bem.
Quero colocar coisas neste lugar, pois aqui, mesmo as mais simples e aparentemente inúteis ganham vida e beleza. Quero lembrar sempre que ele existe dentro de mim. Já sei que lugar é este, se chama ESPERANÇA.

segunda-feira, 5 de novembro de 2007

Primeiro salto

Percebo que dentro de mim há vários poços, com essencias diversas. Me imaginei em uma montanha, muito alta, com um cipó amarrado no tornozelo, como os africanos fazem para provar sua virilidade/guerreira, para pular, num mergulho solto, liberando a própria alma, entregando-a a seu orixá. Quero começar a experimentar meus diversos poços... porém de forma muito consciente. Ao invés de cipó, corda elástica no tornozelo para garantir a minha volta. Me sinto minúscula, no topo da minha própria cabeça, me preparando para saltar e buscar um pouco de mim mesma. Não sei quantos poços vou encontar e o tudo que eles contém, mas quero me permitir... lúcida a fazer essa incursão. Me atiro....de olhos bem abertos para não perder nada.
Não sei se poderia ser diferente, mas estou adentrando num poço nada agradável... seu cheiro acre já o denuncia...é um buraco turvo. Paredes que se formaram por sobrepostas camadas, como paredes de casas mau tratadas, onde as tintas de baixo nunca são removidas. A sensação é de que vão explodir se rasgando. Esse cheiro, desagradável não me é desconhecido... percebo que em diversas situações vivienciadas ele estava presente. A sensação em minha pele, não é de frio nem de calor, mas há um bafo que me faz imediatamente sentir um torpor, físico e moral. Cheguei ao seu conteúdo : um líquido pastoso - a cor é parecida com grafite, mas apresenta também nuances mais claras em alguns lugares, parece que tenta se disfarçar, com diferentes matizes, mas a substância é a mesma. Mergulhada nesse poço, percorro seu espaço - percebo que não é fundo porque a pasta que estava na base se solidificou formando um falso chão. O gosto...provo um pouco de cada nuance apresentada e consigo captar que embora disfarçadas a essencia traz um amargo, parecido com os remédios para vermes que já tomei. Nado nessa pasta tentando ficar a vontade, pois sei que é parte mim, mas confesso que quero sair logo daqui.
Agora preciso saber onde estou, o que é esse lugar , que quer me confundir o tempo todo, dissimulando cheiros, cores e espessura, para que eu conviva melhor com ele e o guarde...
Esse poço, me inspira a fugir de mim mesma é como se queresse me ensinar a sua maestria da dissimulação do real; faz tudo parecer encolhido em si mesmo, e depois grande demais ; só me permiti ver e sentir pequenas partes do real, me rouba a noção do possível/concreto e do possível/esperança, me faz arrependida, irresponsável, vítima, medíocre e cretina pois quer que eu joque fora a verdade. Tu não me enganas mais, pasta acre - pegajosa - dissimulada, não podes me convencer que és útil para me apontar e me livrar dos perigos e me inspirar a proteger-me, precaver-me, acautelar-me. Já sei teu nome MEDO.
Vou aprender a esvaziar esse poço, sem criar um chão falso.

sexta-feira, 2 de novembro de 2007

Transit I

Meu Blog. Essa história começa aqui. Minha proposta é de transitar por entre o que sinto. Sensações, impressões, agonias, alegrias. Quero dizer de mim. Minha história navegando, no virtual... Cruzando outras histórias. Navegar é preciso... e preciso navegar.....